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| Da esquerda pra direita: Congresso Nacional do Brasil, Ponte JK, Eixo Monumental, Palácio da Alvorada e Catedral de Brasília |
A política é uma atividade inerente ao ser humano que norteia as relações socias. Os cientistas políticos e sociólogos, como Hanna Arendt e Weber a definem como uma disputa de poder. Contudo, cada um deles possui uma visão particular acerca do assunto. Weber vai defini-la em relação à distribuição de poder caracterizada pela força, já Salvastru afirma que o discurso político está ligado ao discurso do poder, e aponta três propriedades deste:
O poder não é reflexivo e simétrico;
O detentor não manda a si mesmo;
E pode transmiti-lo ou delegá-lo;
O detentor não manda a si mesmo;
E pode transmiti-lo ou delegá-lo;
“A capacidade de agir para alcançar os seus próprios objetivos ou interesses, a capacidade de intervir no curso dos acontecimentos e em suas consequências". Thompson
Thompson classifica poder de acordo com os "campos de interação", que se trata de um conjunto de circunstâncias e a posição que um indivíduo ocupa nesses campos, e esta ligada ao poder que ele possui. Esta classificação distingue-se de acordo com os recursos de cada tipo de poder e as instituições que esses possuem. Uma mesma instituição pode exercer uma ou mais e os indivíduos que as compõem podem também circular entre uma e outra desde que tenham direito de exercício. Habermas define a partir de relação de poder distinguindo entre poder comunicacional (ação comunicativa) e poder administrativo (ação estratégica). O primeiro circula no espaço público sendo deposita e iniciado pelo povo na figura de cidadão formando a opinião publica. O segundo é vinculado dentro do governo e incide nas relações de dominação.
“É a capacidade de impedir outros indivíduos grupos de defender seus próprios interesses”. Habermas
Se para Weber o poder se manifesta pela força da violência da força legítima, para Habermas o poder se dá poder meio da comunicação com finalidade de persuadir e convencer. Na tentativa de resolver conflitos, a política surge por meio da comunicação (poder comunicacional) e do mandato (poder administrativo) dando ao político o direito de representar o cidadão na esfera pública.
Diário Online publica, domingo 28/08/2011
José Dirceu mantém poder intacto
A mais recente edição da revista Veja, que já está nas bancas, afirma em sua reportagem principal, que José Dirceu, o ex-chefe da Casa Civil do governo Lula, teria instalado em um hotel de Brasília, uma espécie de gabinete para conspirar contra a presidente Dilma Rousseff.
De acordo com a revista, oficialmente Dirceu ganha a vida como um bem-sucedido consultor de empresas instalado em São Paulo. Na clandestinidade, porém, mantém um concorrido “gabinete” a 3 quilômetros do Palácio do Planalto, instalado numa suíte de hotel.
Tem carro à disposição, motorista, secretário e, mais impressionante, mantém uma agenda sempre recheada de audiências com próceres da República – ministros, senadores e deputados, o presidente da maior estatal do país. José Dirceu não vai às autoridades. As autoridades é que vão a José Dirceu, numa demonstração de que o chefão – a quem continuam a chamar de “ministro” – ainda é poderoso. Ou seja: mesmo com os direitos políticos cassados, sob ameaça de ir para a cadeia por corrupção, ele continua o todo-poderoso comandante do PT. E, prossegue a revista, usa toda a sua influência para conspirar contra o governo Dilma – e a presidente sabe disso.
De acordo com a reportagem, a conspiração chegou ao paroxismo durante a crise que resultou na queda de Antonio Palocci da Casa Civil, no início de junho. Na ocasião, Dirceu despachou diretamente de seu bunker instalado na área vip de um hotel cinco estrelas de Brasília, num andar onde o acesso é restrito a hóspedes e pessoas autorizadas. Foram 45 horas de reuniões que sacramentaram a derrocada de Palocci e nas quais foi articulada uma frustrada tentativa do grupo do ex-ministro de ocupar os espaços que se abririam com a demissão. Articulação minuciosamente monitorada pelo Palácio do Planalto, que já havia captado sinais de uma conspiração de Dirceu e de seu grupo para influir nos acontecimentos daquela semana.
A revista traz ainda imagens que comprovariam que Dirceu recebeu, entre 6 e 8 de junho, visitantes ilustres como o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, os senadores Walter Pinheiro, Delcídio Amaral e Lindbergh Farias, todos do PT, e Eduardo Braga, do PMDB, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, e os deputados Devanir Ribeiro e Cândido Vaccarezza, do PT, e Eduardo Gomes, do PSDB. Esteve por lá também o ex-senador tucano Eduardo Siqueira Campos.
Com relação a isso cabe abrir um parêntese sobre a notícia de Dirceu, no Diário Online.
“O ex-ministro que não deixa de usar a máxima de Zagalo: Vocês vão ter de me engolir!”
José Dirceu ex-ministro e deputado cassado se transformou numa eminência parda da política, exerce grande influencia sobre outros ministros e parlamentares em quartos de hotel mobilizando opiniões nem sempre a ver luz. O fato é que com as mazelas que o rodam e por ele mesmo provocadas, Dirceu perdeu uma parcela importando do seu “todo poder de chefão”: poder que lhe permitiria agir institucionalmente, como qualquer cidadão livre da fama de ser “o chefe da quadrilha” do caso do mensalão. No entanto, o petista não desistiria jamais de exercer a parcela de poder que lhe resta: a de influenciar o pensamento e o comportamento político daqueles que lhe devem favores, fidelidade ou amizade. Nunca é amigo de ninguém. exerce sua influência nos bastidores e quando tudo vem à tona, fica a inevitável percepção de que algo de muito errado se passa.
São casos assim, de petistas como José Dirceu que ainda agem erroneamente na politica brasileira, achando que suas máscaras de poder continuarão intactas, máscaras estas que cobrem desvios e ações ilegais, que atrasam o progresso do pais.
¹ José Dirceu de Oliveira e Silva nasceu na cidade de Passa Quatro, Minas Gerais, em 16 de março de 1946. Formou-se em Direito, em 1983, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Em 1995 assumiu a presidência do PT, sendo reeleito por três vezes. Na última, em 2001, foi escolhido diretamente pelos filiados da legenda em um processo inédito no Brasil de eleições diretas para todas direções de um partido político. Ocupou a função até 2002, quando se licenciou para participar do governo do presidente Lula. Integrante da coordenação das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República em 1989, 1994 e 1998, foi o coordenador-geral em 2002. Com a vitória de Lula, assumiu a função de coordenador político da equipe de transição.
Em janeiro de 2003, José Dirceu assumiu a cadeira de deputado federal, mas logo se licenciou para assumir a função de ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República, permanecendo no cargo até junho de 2005, quando retornou à Câmara dos Deputados. Seu mandato foi cassado em dezembro do mesmo ano e teve a inelegibilidade decretada por oito anos.
Referências
Noticia extraida do Diario do Para, Diario Online, 28/08/2011
SILVA, Rosilena Alves da. Charges do discurso político eleitoral ao discurso político da opinião pública: A relação entre política e o poder.


Esta postagem não tem como finalidade demonstrar ligações e afinidades partidarias, e sim, debater e provocar discussões sobre fatos existentes.
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